Idade Vascular Por: Maristela Magnavita - cardiologista (CRM 9834)

2009-08-20 13:24

 

“Idade Vascular” *

"O homem é tão velho quanto suas artérias” - Thomas Sydenham

O espessamento médio-intimal carotídeo (EMIC), medido pela ultrassonografia de carótidas, permite estimar a carga aterosclerótica e comparar a “idade vascular” com a idade cronológica do indivíduo, contribuindo para melhor predizer seu risco cardiovascular.

Já foi demonstrado que o componente “idade”, do escore individual de risco de doença cardiovascular de Framingham, pode ser modificado, incorporando a “idade vascular”, estimada pela carga aterosclerótica, derivada da medida do EMIC.

A ultrassonografia com Doppler colorido das artérias carótidas avalia as carótidas comuns, bulbos carotídeos e as artérias carótidas internas e externas, quanto à presença de aterosclerose. É uma técnica não-invasiva e altamente reprodutível para quantificar a carga aterosclerótica. No exame, pode-se encontrar placas ateroscleróticas grandes e oclusivas, nos estágios mais avançados da doença vascular, ou placas menores e não oclusivas, nos estágios precoces. Também é possível existir, apenas, o aumento do EMIC, que é o precursor da placa aterosclerótica, sendo, portanto, o estágio muito mais precoce da doença aterosclerótica.

A aterosclerose carotídea tem correspondência com o grau de aterosclerose coronariana, por isso é aceito que as artérias do pescoço fornecem uma “janela” para as artérias coronárias. Maiores EMIC estão relacionados com prevalência aumentada de angina, infarto, acidente vascular cerebral, ataque isquêmico transitório e doença vascular periférica. Além disto, o EMIC é preditor independente de futuros eventos cardiovasculares, incluindo infarto, morte súbita e acidente vascular cerebral.

Os valores de normalidade do EMIC já são conhecidos, através de grandes estudos populacionais, que forneceram classificação em percentis, conforme idade, gênero e raça, permitindo situar em faixas de normalidade, pouco ou muito acima da média.

Reconhecendo o EMIC como método validado e as evidências científicas já demonstradas, a V Conferência de Prevenção da American Heart Association concluiu que o EMIC pode ser utilizado clinicamente para esclarecer risco de doença arterial coronariana e recomendou a avaliação do EMIC para pacientes com mais 45 anos, que precisem esclarecimento adicional do seu risco de doença cardiovascular, visando à instituição de medidas preventivas.

Referências:

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* Texto inédito para o Portal Procardíaco.

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