A prática da atividade física diminui o risco de doença arterial coronária
2011-08-31 22:52
Estudo publicado em 2011 na revista Circulation da Sociedade Americana de Cardiologia, realizado pelos médicos Sattelmair, Pertman, Ding, dentre outros, conclui que os benefícios do exercício físico na prevenção primária e secundária de doença arterial coronária são bem estabelecidos. A relação exata entre a quantidade de exercício e seus efeitos na prevenção dessas doenças, entretanto, ainda é incerta.
O estudo em questão teve como objetivo determinar a quantidade de atividade física necessária para diminuir o risco de doença arterial coronária, analisando a relação de dose de atividade física realizada e a resposta que se obtinha com as respectivas doses.
O método utilizado foi o da meta-análise, que incluiu estudos epidemiológicos para investigar a relação da atividade física com a prevenção primária de doença arterial coronária. Depois de analisar 3.194 resumos de testes realizados com pacientes voluntários, os autores incluíram 33 estudos que acompanharam estes indivíduos quanto ao risco de ocorrência de eventos, todos publicados em língua inglesa no banco de dados MEDLINE, desde 1995. Entre os 33 estudos inicialmente selecionados, nove permitiram estimativas quantitativas da atividade física praticada como lazer.
Os resultados mais significativos obtidos no estudo indicam de 150 a 300 minutos de exercício físico por semana, observando que dentro dessa faixa, quanto maior a quantidade menos risco de eventos coronarianos, conforme pode se notar nos exemplos a seguir:
- Os indivíduos que praticaram o equivalente a 150 minutos por semana de atividade física de moderada intensidade apresentaram redução de 14% na incidência de eventos coronarianos em comparação com aqueles que não praticaram nenhuma atividade física.
- Aqueles que praticaram o equivalente a 300 minutos por semana de atividade física apresentaram com o mesmo nível de intensidade tiveram uma redução de 20% no risco de doença arterial coronária.
Vale observar que os indivíduos fisicamente ativos, porém em níveis mais baixos do que a quantidade mínima recomendada, que é de 150 minutos por semana de atividade física de moderada intensidade, também tiveram risco significativamente menor de doença coronariana.
Outra questão importante é que o benefício parece seguir uma relação contínua e linear. Ou seja, aqueles que dedicaram tempo ainda maior para a prática de atividades físicas, em torno de 750 minutos por semana de exercício moderado, apresentaram uma redução de 25% no risco de doença arterial coronária.
Os benefícios com referência a dose de exercício físico, segundo o estudo pode ser conferido na tabela abaixo:
|
DOSE DE ATIVIDADE FÍSICA |
BENEFÍCIO |
|
150 minutos de atividade moderada |
14% de redução de risco de eventos coronarianos |
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300 minutos de atividade moderada |
20% de redução de risco de eventos coronarianos |
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750 minutos de atividade moderada |
25% de redução de risco de eventos coronarianos |
Além disso, os autores identificaram que os benefícios cardiovasculares do exercício foram mais proeminentes em mulheres que nos homens, dado ainda sem explicação plausível. Também houve um benefício adicional quando comparado intensidade alta de exercício versus baixa intensidade.
A conclusão do estudo, portanto, indica que "qualquer atividade física é melhor do que nada", e que os "benefícios adicionais ocorrem com maior quantidade de exercício", desde que não se ultrapasse as doses e a intensidade de atividades físicas recomendadas por um médico, através de avaliação cardiovascular prévia.
Os benefícios da atividade física na prevenção de doenças cardiovasculares são conhecidos há algumas décadas. Esse estudo, entretanto, ganha relevância porque pela primeira vez se utilizou a metodologia da meta-análise para avaliar especificamente a relação dose-resposta entre atividade física e redução do risco de doença arterial coronária.
As principais limitações do estudo se referem a falta de dados suficientes para analisar o efeito da idade em que se inicia a prática de atividade física, ou ainda se haveria diferenças étnicas nos resultados. Outra questão é que a definição de doença arterial coronária entre os estudos selecionados também não foi uniforme.
No entanto, esta é mais uma demonstração que deve incentivar todos os médicos que trabalham com prevenção primária a estimular não só a prática de atividade física, mas que o indivíduo dedique o maior tempo possível, dentro das doses para ele prescritas, na semana para o mesmo.
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